Um novo olhar sobre a Tecnologia e a Educação

Janeiro 20, 2017

A cena é bastante comum: uma criança ou um adolescente com olhos focados na tela, seja ela de um tablet, um smatphone ou um videogame. Assim, as horas passam durante seu tempo livre.

Esta cena faz com que muitos pais tenham duas crenças fundamentais: meu filho(a) sabe tudo de tecnologia ou, a tecnologia está prejudicando o desenvolvimento social e até mesmo educacional dele(a). Ocorre que ambas as afirmações não necessariamente são verdadeiras, uma vez que, como tudo na vida, é preciso avaliar uma situação de forma mais ampla e menos radical.

Nas aulas de robótica, os alunos utilizam kits educacionais especialmente desenvolvidos para criação de protótipos similares aos utilizados na realidade, dotados de motores, sensores e software de programação.

No primeiro caso, acreditar que uma criança ou adolescente já sabe tudo de tecnologia pois dedicam horas de sua rotina a consumi-la é uma crença rasa. Notem que utilizamos o termo “consumi-la”. Isto porque na maior parte do tempo muitos deles exclusivamente consomem conteúdo pronto, como jogos e vídeos, acompanham redes sociais ou fazem download de conteúdo pirateado. Ou seja, não existe processo criativo e isto não significa que conheçam tecnologia.

É certo que possuem facilidade em aprender. Ao primeiro contato com um aparelho eletrônico como uma SmartTV, por exemplo, certamente aprenderão de forma rápida como utilizá-la. Isto se deve ao fato e que a tecnologia envolvida nestes dispositivos são intuitivas e, por isso, mais acessíveis aos nativos digitais.

De outra ponta, a segunda afirmação faz da tecnologia uma vilã, uma vez que leva o usuário a dedicar muito tempo exclusivamente ao seu uso, deixando de explorar outras potencialidades como a socialização, a prática de esportes e o desenvolvimento de diferentes habilidades. Realmente esta é a realidade de muitos jovens e infelizmente, é necessário tomar medidas urgentes para reavaliar a importância de tais dispositivos na vida de cada um deles.

Em ambos os casos, educadores especializados na aplicação da tecnologia em benefício do desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes apontam um novo caminho para seu uso.

A este novo olhar, damos o nome de “tecnologia criativa” em benefício da educação. A tecnologia criativa tem como objetivo aproveitar-se da paixão e facilidade no manuseio de dispositivos eletrônicos tão comuns a crianças e adolescentes para fazer deles uma poderosa ferramenta no desenvolvimento de habilidades.
Um bom exemplo são cursos de Robótica e Desenvolvimento de Games. Nestes cursos o aluno é inserido em situações de aprendizagem onde precisa desenvolver habilidades como resiliência, trabalho em equipe, raciocínio lógico e criatividade.

Nas aulas de robótica, os alunos utilizam kits educacionais especialmente desenvolvidos para criação de protótipos similares aos utilizados na realidade, dotados de motores, sensores e software de programação.

Em ambos os casos, educadores especializados na aplicação da tecnologia em benefício do desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes apontam um novo caminho para seu uso.

Já o desenvolvimento de games leva o adolescente a criar cenários, desafios e enredos, programando as missões que deverão ser cumpridas pelo jogador. Ou seja, o aluno sai da posição de simples consumidor de tecnologia e passa a ser desenvolvedor de seus próprios jogos. Além das habilidades já citadas, existe a descoberta de potencialidades jamais experimentadas. Ele passa a ser protagonista.

Um aspecto importante é que em todos estes cursos a lógica de programação tem grande destaque. Aprender lógica de programação leva a criança e o adolescente a aprimorar o raciocínio lógico e ter mais foco. Inclusive é muito comum que crianças com dificuldades de aprendizagem encontrem nestas aulas um excelente apoio para o aprimoramento de algumas necessidades encontradas no dia a dia de sala de aula.

Muitas escolas já oferecem este tipo de aula em sua grade curricular e existem escolas especializadas neste segmento. É o caso da Bits e Blocos, pioneira na aplicação de tecnologia em benefício da aprendizagem, pois faz parte do grupo EnsinoIP que atua há 18 anos desenvolvimento soluções em tecnologia a favor da educação.

Para a diretora educacional da Bits e Blocos, Profª Andréa De Angelis, é importante que os pais compreendam que um curso de tecnologia criativa deve se focar no desenvolvimento de habilidades e na educação digital. É preciso que a escola seja gerida por uma equipe de educadores e não simplesmente técnicos, que ofereça um ambiente emocionalmente seguro e tenha um projeto pedagógico bem fundamentado. As turmas também precisam ser reduzidas, onde o aluno tenha a possiblidade de encontrar um ambiente mais estimulante e personalizado do que encontra na sala de aula convencional, na escola regular. Caso contrário, corre-se o risco de deixar seu filho em uma “creche digital”.

Diversas escolas ao redor do mundo tem implantado projetos de educação tecnológica no currículo e muitas escolas de tecnologia criativa estão desenvolvendo projetos que passam a fazer desta uma grande aliada na formação de jovens.

É certo que no futuro muitas destas crianças e adolescentes seguirão carreiras voltadas para ciência da computação ou disciplinas afins. Ainda que não sigam, a tecnologia estará cada vez mais presente nos diferentes setores da sociedade. Por isso é imprescindível direcionar desde cedo nossos nativos digitais para que saibam extrair o melhor destas ferramentas em seu benefício.